Díli – Quarenta e seis ciclistas timorenses decidiram que não participariam no Tour de Timor em 2017 por consideram que a comissão organizadora do evento os discrimina.
A Volta a Timor começou na passada terça-feira, no Palácio do Governo, mas 46 ciclistas de Timor-Leste recusaram-se a participar, queixando-se de que os timorenses são discriminados.
“Nós, os 46 ciclistas, não participamos, dado quea comissão não colabora connosco. Fazemos briefing em conjunto e eles não nos dão importância, talvez porque o Tour de Timor é organizado por australianos”, disse o porta-voz dos ciclistas, Adérito Rosário Soares, aos jornalistas, na terça-feira (19/09), no Palácio do Governo.
Adérito Soares afirmou ainda que lamentavam o facto de a comissão organizadora ter dito que os ciclistas timorenses não podiam competir com os internacionais.
“A comissão organizadora disse que nós, os ciclistas de Timor-Leste, ainda não podemos competir com os internacionais. Por isso, não estamos satisfeitos com a comissão organizadora. O dinheiro [do prémio] para a categoria nacional e internacional também é diferente”, lamentou.
“Por exemplo, os ciclistas timorenses que vencerem, individualmente ou em grupo, também não têm direito a obter um prémio internacional, mas receberão da categoria nacional”, acrescentou.
Segundo o porta-voz, a discriminação também acontece quando, nos briefings realizados em conjunto, a comissão fala apenas inglês, sem tradução. Por outro lado,só na segunda-feira foram divulgados os prémios.
O Timor Post contactou, via telefone, a equipa técnica da Federação de Ciclismo de Timor-Leste que estava a acompanhar a prova, na etapa de Díli a Aileu.
“Apenas 10 ciclistas nacionais participam, mas não há nacionais como o Jacinto da Costa”, disse o funcionário da logística da Federação de Ciclismo de Timor-Leste, Fidélio Pires Pereira, ao Timor Post, nesta terça-feira.
Os ciclistas timorenses já enviaram uma carta de protesto àSecretaria de Estado da Juventude e Desporto, à Federação de Ciclismo de Timor-Leste, ao Parlamento Nacional e ao Presidente da República para resolverem esta questão.(cio)

